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CAOP Informa

24/06/2020

Comercializada a partir de agosto, nova gasolina brasileira dificulta fraudes e beneficia motoristas

Fonte: Combustível Legal

Fruto da reivindicação dos postos e distribuidoras de combustíveis, nova gasolina traz padrões internacionais de qualidade e requisitos que dificultam a adulteração. A pedido do Combustível Legal, Gilberto Pose, engenheiro de desenvolvimento de combustíveis, explica como as mudanças vão beneficiar o consumidor.

A partir do dia 3 de agosto, motoristas terão uma gasolina automotiva de melhor qualidade nos tanques. Nessa data, entrará em vigor a medida que determina novos padrões de qualidade para o combustível. Publicada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a resolução n.807/2020 substitui as especificações de 2013.

A nova gasolina tem novidades em três aspectos: valor mínimo da massa específica, parâmetros de destilação, e fixação de limites para a octanagem RON. As mudanças resultam em melhor dirigibilidade, combate à adulteração e benefícios ao meio ambiente.

Gasolina com mais energia e menos consumo

“A grande mudança é o valor da massa específica da gasolina”, afirma o engenheiro e especialista em combustíveis, Gilberto Pose. As gasolinas comum e premium passam a ter densidade mínima de 715 kg/m3. Atualmente, esse índice pode oscilar em torno dos 700kg/m3, o que abre margem para a oferta de produtos com diferentes densidades no mercado. No caso da gasolina, quanto maior a densidade, mais potência e rendimento ela gera ao motor, resultando em mais energia e menos consumo para os veículos.

A segunda especificação diz respeito à temperatura de destilação no ponto 50% evaporado (T50), com benefícios diretos para a dirigibilidade, desempenho e aquecimento do motor. O ponto T50 é um dos índices utilizados no processo de destilação (separação de substâncias) da gasolina para verificar seu desempenho no motor. O T50 identifica a temperatura na qual 50% do combustível foi destilado e verifica o aquecimento do motor. Outros pontos são o T10, que observa a partida do motor a frio, e o T90, que verifica performance e aquecimento.

Mudanças no combustível dificultam fraudes

Pose explica que a mudança atende a reclamações antigas dos donos de postos de gasolina, que agora terão maior segurança na hora da fiscalização. “A definição da massa específica é um divisor de águas para o Brasil inibir a adulteração do combustível com solventes de baixa densidade. Quando se joga solvente numa gasolina de 720kg/m3, a densidade desse combustível pode cair para 680kg/m3. O adulterador não terá mais essa facilidade”, explica Pose.

A densidade pode ser checada em toda a cadeia de distribuição. Desde a produção na refinaria, passando pela distribuição e revenda no posto. “Também é verificada em ações de fiscalização e para demonstração ao cliente final, quando por ele solicitado”, descreve o engenheiro. Para leitura nos postos, são utilizados densímetros com faixa de medição de 0,700 a 0,750, ou de 0,750 a 0,800. O aparelho é mergulhado em uma proveta com amostra do combustível.

De acordo com o especialista, os clientes que abastecem em postos com boa reputação já adquirem combustível de qualidade. Aqueles que escolhem encher o tanque apenas com base no preço baixo estão mais suscetíveis a consumir produtos de origem duvidosa, colocando o veículo em risco.

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Limites para a octanagem RON

O índice que a gasolina possui para resistir à pressão dentro do motor sem sofrer combustão espontânea (octanagem) também passará por mudanças para se adequar às novas tecnologias de motores.

Pose afirma que haverá mais sintonia entre os índices de octanagem ideal, definidos pelas montadoras, e o produto final. “Quando o carro chegava na rua, havia possibilidade de dar problema. Agora, pode ser que os motoristas sintam mais conforto, pois o motor vai ter menor possibilidade de batida de pino [queima da gasolina antes do ponto certo]”, diz o especialista, lembrando que os condutores também poderão notar menos oscilações de marcha lenta e motor mais suave.

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Compromisso de poluir menos

Pose salienta que a nova resolução da ANP segue processo iniciado em 1988, quando começaram as reduções dos níveis de poluentes nos combustíveis brasileiros.

Os critérios para redução de substâncias como enxofre e monóxido de carbono são definidos pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve/Ibama). As próximas melhorias estão previstas para 2022 e 2025.

E caso desconfie de alguma irregularidade ao abastecer, denuncie junto à ANP pelo site www.anp.gov.br/faleconosco, ou pelo telefone 0800 970 0267.

Fonte: https://minaspetro.com.br/noticia/comercializada-a-partir-de-agosto-nova-gasolina-brasileira-dificulta-fraudes-e-beneficia-motoristas/

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